TEMA.APENAS CONSENTIR.
TITULO.O SILÊNCIO DE UM PAI SÁBIO.
TEXTO BASICO.Lc.15.11 Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.12 O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.13 Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.25 Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças;26 e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.27 Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.28 Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.
INTRODUÇÃO.
Não é de nossa alçada ser genial como alguns! Mais gostaríamos de compartilhar esse texto na perspectiva de um pai que tem a lei para determinar quais os tratamentos com relação a cordialidade para com seus filhos. De acordo com o direito de herança hebraico (Dt 21.17) o legado do primogênito era duas vezes maior que o dos que nasceram posteriormente. Nesse caso o filho mais velho é o herdeiro principal, ao qual cabem dois terços de toda a fortuna. A parte do mais novo era quitada com um terço. Facilmente poderia despertar no mais moço, que ocupava o terceiro lugar na casa do pai, depois do pai e do primogênito como herdeiro principal, o desejo de poder dispor livremente pelo menos da sua parte na herança. A posição na casa paterna estimulou e potencializou seu impulso de autonomia. O pai atendeu o desejo do filho mais novo, entregando-lhe a parcela da herança.
I- COMO SERIA A RELAÇÃO DESSE PAI COM OS FILHOS?
A bíblia não fala muito dessa relação, entre pai e filhos. O pai não diz nada ao filho. No começo da parábola o pai é o grande calado. As vezes o silêncio é o grande termômetro que mede a nossa capacidade de conquista ou de desperdícios do que temos. O silêncio do pai,aqui determina o conhecimento que tinha dos dois filhos e suas reações emocionais. Da mesma maneira também Deus permite silenciosamente que o ser humano faça o que quer. Poderia protegê-lo do pecado pelo poder da graça. Mas Deus concede ao ser humano a liberdade. Isso é surpreendente e difícil de compreender. Mas visto que de acordo com a vontade de Deus o ser humano foi criado em liberdade e para a liberdade, Deus permite ao ser humano que tome uma decisão realmente livre. Assim foi esse pais com relação as escolhas de seus filhos.
II- CONHECER OS SENTIMENTOS HUMANOS NOS LEVARÁ A DETERMINADA ESCOLHA.
Diante do sublime amor paterno o filho que voltou para casa não consegue pronunciar mais nenhuma palavra. O pai tampouco assegura o perdão ao filho por meio de palavras gentis, como: “Sim, estás perdoado” – não, pelo contrário, o pai dá uma ordem específica aos empregados próximos. O grande calado por fim desprende-se de seu silêncio. Palavras de amor fluem com grande ímpeto. Inicialmente ele ordena que seja trazida uma veste, a mais distinta e rica. O pai não suporta mais contemplar a roupa de mendigo. Ao vesti-lo com a túnica branca, ele reconduz o filho à condição de um judeu distinto (cf. Mc 12.28). O anel de sinete e os calçados são sinal de que ele agora voltou a ser um homem livre. Em consequência, os três objetos que o pai concede constituem uma prova tríplice da restauração da condição de filho. Uma explicação sóbria do texto precisa contentar-se com isso. Uma leitura alegórica considera a veste como justiça de Cristo, o anel como selo do Espírito Santo, os calçados como capacidade de andar pelos caminhos de Deus, mas com certeza isso não corresponde ao texto em si.
III-APRENDENDO A LIDAR COM SENTIMENTOS AMARGOS.
Enquanto isso o pai obviamente ficara sabendo do retorno do filho mais velho. Na seqüência acontece algo de fato incrível. O pai deixa para trás a agitação festiva na casa e corre cordialmente ao encontro do filho mais velho que está do lado de fora, persuadindo-o com bondade. O filho, porém, não se deixa convencer a entrar e participar da alegria da festa. Com palavras obstinadas e amargas ele revela a mentalidade de seu coração. Fala com seu pai sem pronunciar a palavra amistosa “pai”. Critica o pai pelo comportamento injusto diante dele e de seu irmão. O contraste entre sua conduta e a do seu irmão visa elucidar a injustiça do pai. O filho mais velho expõe ao pai os cálculos mais orgulhosos possíveis acerca de sua obediência e seu serviço meritório. Fustiga com aguçado desprezo o comportamento leviano do irmão. Negando-se com desprezo a pronunciar o nome do irmão, diz ao pai em tom acusador: “Teu filho, esse aí”, ao qual ainda ousas reconhecer como filho, esbanjou tua fortuna em prazeres dissolutos. Desse modo rasga o véu que encobria a vida pecaminosa do irmão. A resposta do pai trazida na sequência representa uma obra prima do amor paterno. Sem o menor tom de irritação, sem o mais leve traço de repreensão o pai se justifica com tranquilidade e mansidão contra a acusação de injustiça em relação ao filho mais velho. O pai dirige-se ao filho mais velho como “filho”. Essa interpelação é uma delicada e amorosa correção em relação ao termo “pai”, que o filho mais velho deixou de utilizar em suas duras e injustificadas acusações de mágoa e ira. – De que maneira grandiosa e magistral o “tu” amoroso do pai aparece no começo do discurso! Como ele tenta convencer o filho de que não apenas o novilho, o cevado, é dele, mas que tudo, tudo o que pertence ao pai, também pertence ao filho! Depois o pai prossegue dizendo, quase como uma desculpa, que essa festa de júbilo simplesmente teve de ser celebrada. Na sequência vem a parte mais bela. O pai inverte as palavras do filho. Não o filho, mas “esse teu irmão” voltou. Cheio de amor ele desperta o amor amortecido para com o irmão – e apesar disso reside nessas palavras toda a majestade do pai, que apenas insiste em que também esse filho mais velho torne a reconhecer seu irmão mais novo de forma plena e cabal, sim, que o saúde com a mesma alegria que o pai demonstrou ao filho. Portanto, ainda que todos os traços desse pai possam ser próprios de um pai humano, a figura do pai celestial deve, sem a menor dúvida, brilhar vivamente, de forma subjacente e misteriosa: como ele é bom para com ingratos e maus (Lc 6.35); bom, contudo sem ser pusilânime ou fraco, simplesmente pelo fato de que se eleva amorosamente, com a majestade dos altos céus, sobre todas as maldades mesquinhas e deploráveis dos humanos. Justifica-se, pois uma festa de alegria na casa do pai porque o filho que voltou para casa escapou de maneira tão maravilhosa da morte. O pai não solicita expressamente ao filho que participe do júbilo da festa. O banquete de alegria, porém, de forma alguma é interrompido por causa do filho mais velho. Depois dessa explicação do pai o filho mais velho precisa decidir pessoalmente se deseja continuar do lado de fora, empedernido e sem amor.
CONCLUSÃO.
Até onde vai nosso silêncio, quando nos deparamos com desfecho de uma crise em nossa família?
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